A viticultura no Alentejo

 In Artigos Técnicos & Comerciais, Viticultura

O Alentejo tem uma grande aptidão para a produção de vinhos de qualidade, quer pela grande variação de clima anual, com um sol forte e altas temperaturas no verão, e um frio seco no Inverno, quer pela particularidade dos solos, predominantemente com baixo vigor e levemente inclinados, dando aos vinhos da Região características únicas.

A área de vinha no Alentejo é de aproximadamente, 23.000 hectares (7% da área dedicada à cultura em todo o país), distribuídos por 3.140 explorações, com uma área média por exploração de 7,4 ha (para uma média em Portugal de 0,9 ha.).
A viticultura é um setor económico muito importante para o Alentejo e os seus 3.000 viticultores.

A viticultura no Alentejo está concentrada essencialmente em zonas geográficas bem delimitadas: Borba, Évora, Granja-Amareleja, Moura, Portalegre, Redondo, Reguengos, Vidigueira.

A planície característica do Alentejo, e a correspondente falta de barreiras orográficas, impedem a condensação da humidade vinda do mar, subtraindo qualquer influência atlântica no Alentejo. Porém, são precisamente os poucos acidentes orográficos do Alentejo que condicionam e individualizam as diferentes sub-regiões, proporcionando condições singulares para a cultura da vinha em toda a região.

Os principais acidentes orográficos são:

  • Serra de S. Mamede, com 1.025 metros de altitude;
  • Serra d’Ossa, com 649 metros de altitude
  • Serra de Portel, com 218 metros de altitude

Ao nível hidrográfico, destaca-se a influência do Guadiana e do Sado e dos seus afluentes.

Clima

Classificada como mediterrânea, a zona conta tipicamente com 3.000 horas de sol e 600 milímetros de chuvas anuais, dos quais, por regra, menos de 15% cai durante a estação de crescimento. As noites sem geada estendem-se desde o início de março até o início de novembro.

Os meses de Verão são caracterizadas pela grande variabilidade da temperatura diurna e noturna, com a diurna a ser marcada por médias diárias superiores a 33° C, seguindo-se mínimas noturnas abaixo dos 15°C. Esta amplitude térmica possibilita a produção de uvas excelentes, com uma combinação natural de maturidade e frescura.

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Durante os meses de colheita no final de setembro e outubro, o aumento da humidade, juntamente com as temperaturas médias diárias em decrescendo, permite que as uvas atinjam, lentamente, a completa maturação fenólica, em condições de menos stress.

Solos

Os solos predominantes na viticultura no Alentejo são de substrato geológico de rochas plutónicas (granitos, tonalitos, sienitos) com manchas de derivados de xistos e quartzodioritos.

Em geral, as vinhas são plantadas nos solos com pouca fertilidade, devido à sua rusticidade, enquanto os solos de maior fertilidade são selecionados para a cultura cerealífera e a exploração agropecuária.

Produção

A grande maioria das vinhas alentejanas está cultivada sujeita a práticas de proteção integrada, favorável ao ambiente, o que reduz significativamente a utilização de pesticidas, selecionando sempre os produtos menos tóxicos e racionalizando a sua aplicação.

O sistema de condução tradicional é a vinha baixa em bardo, com vegetação ascendente, de pequena e média expansão vegetativa, podada normalmente em “cordão bilateral” ou em “Guyot duplo”.

Os valores médios de produção na região variam entre os 35 e 40 hl/ha, sendo o limite máximo definido nos estatutos das zonas vitivinícolas, de 55 hl/ha para as castas de uvas tintas e de 60 hl/ha para as castas de uvas brancas.

Em muito devido ao dinamismo das Adegas Cooperativas – onde cerca de 90% do total de viticultores são associados, representando cerca de 70% da produção vitícola alentejana – a viticultura no Alentejo tem vindo a assistir a um desenvolvimento progressivo.

Mais informações: Adega de Borba | Comissão Vitivinícola Regional Alentejana | Fita Preta

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