Agriminho: especializar para melhor servir

 Em Entrevistas

“A agricultura de minifúndio terá de passar pelos pequenos frutos para ser viável”

 

Com vários anos de existência, a Agriminho é atualmente um nome incontornável no setor dos pequenos frutos nas Regiões Norte e Centro de Portugal. A empresa continua com uma presença demarcadamente regional, para não comprometer “uma eficiente capacidade de resposta e a prestação de um serviço de qualidade”.

Para Lurdes Gonçalves, Diretora da Agriminho, a principal dificuldade dos produtores de mirtilo, framboesa, groselha e de outros pequenos frutos da Região Norte e Centro está na muito pequena dimensão de alguns projetos e, consequentemente, nos custos logísticos de transporte da fruta. Para esta empresa, é no mirtilo que está a maior oportunidade de negócio. Para demonstrar a confiança nesta baga, a Agriminho lançou várias iniciativas, como o seguro de preço para os produtores ou a tolerância zero relativamente à presença da doença da tinta nas plantas de mirtilo.

A Agriminho, desde o seu início, posicionou-se na fileira dos pequenos frutos. Porquê esta opção pela especialização numa fileira?

Em virtude de estarmos localizados numa região de minifúndio, as opções técnicas e económicas para a agricultura restringem-se enormemente. Desta forma, só negócios de capital intensivo ou de mão de obra intensiva acabam por ser viáveis. Deste modo, além dos pequenos frutos e das hortícolas em ambiente protegido, são muito poucas as opções que de facto interessam aos empresários agrícolas.
Já identificados há décadas como das poucas oportunidades estratégicas para a agricultura desta região, os Pequenos Frutos não se apresentavam, ainda, como opções viáveis por não haver nem mercado conhecido, nem meios técnicos e humanos para a instalação e orientação.

Com os apoios públicos ao desenvolvimento rural, em que a comparticipação era, virtualmente, de 100% sobre o investimento, criaram-se as condições para atrair investimento e iniciar a fileira.
Como na região norte as empresas que operavam na prestação de serviços de instalação de pequenos frutos, e estamos a falar de mirtilo, framboesa, groselha, entre outros, eram orientados por pessoas sem qualquer conhecimento prático ou formação técnica, fundou-se a Agriminho, desde logo se afirmando por ter sido a primeira a empregar agrónomos, atualmente são 4 e, pensamos, na atualidade continuamos a ser a empresa melhor preparada em termos de recursos humanos.

A Agriminho tem a sua sede no Norte de Portugal, mais propriamente em Ponte da Barca. A V/ atividade é regional ou cobrem todo o território nacional?

Eminentemente regional. A opção por abarcar todo o território implicaria deixarmos de ser capazes de prestar um serviço de proximidade e de qualidade. A empresa presta serviços de hidráulica (instalação de sistema de rega), e de acompanhamento técnico.
Se há uma questão ou um problema, ele tem de ser rapidamente identificado e resolvido, o que não se compadece com tempos de intervenção longos ou com a distância. Além de que a distância implica custos, tornando-se estes incomportáveis para os clientes.

Qual o serviço/produto mais comercializado pela Agriminho?

De momento, a Agriminho tem sido muito solicitada para “refazer” plantações realizadas há 2, 3, 5 anos que apresentam várias deficiências. Seja ao nível de problemas técnicos de instalação seja por falta de conhecimentos dos próprios empresários sobre a forma como conduzir a sua plantação.
Além deste trabalho, temos tido permanentemente atividade na instalação de pomares de mirtilo, uma vez que aparecem progressivamente projetos de cada vez de maior envergadura.


Lurdes Gonçalves, Gerente da Agriminho.

Lurdes Gonçalves, Gerente da Agriminho.

Estando em contacto permanente com os produtores de pequenos frutos (mirtilo, framboesa, amora, groselha, kiwi arguta…), quais as principais dificuldades que estes empresários se têm deparado?

É muito raro um cliente nosso ser agricultor ou filho de agricultores no ativo. Procedendo de outras atividades profissionais, tem-se verificado que a maior lacuna está na formação e na capacidade de gerir as suas próprias plantações.
Alguns empresários demonstram alguma capacidade crítica e força anímica para procurar a informação, mas a maioria acaba por se confundir com “treinadores de café” e perde a primeira batalha… para as infestantes!
O que verificamos é que quando um empresário é acompanhado permanentemente por uma equipe técnica sente-se com muito mais vontade de trabalhar e fazer a sua empresa render.

E as oportunidades? Quais as principais diferenças técnicas e comerciais entre estes pequenos frutos?

A logística pode não parecer, mas é, atualmente, o maior calcanhar de Aquiles de todas as produções. Os projetos com área muito pequena, dispersa, por vezes dividida por mais de uma cultura, implicam pequenos volumes que se tornam baste dispendiosos em termos de transporte. Assim sendo, culturas de frutos muito sensíveis como a amora e a framboesa tornam-se particularmente arriscadas se o empresário não está próximo de uma central que lhe compre a fruta.
Atualmente, é no mirtilo que se mantém a maior oportunidade de negócio, uma vez que, a nível europeu, a produção no mês de junho é quase exclusiva de Portugal. Contudo, o mercado nacional vem crescendo, e os restantes meses do ano são de importação por falta de capacidade nacional para se autoabastecer.

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Muitos produtores queixam-se do serviço de qualidade duvidosa providenciado por algumas empresas de consultoria agrícola, muitas delas ligadas aos pequenos frutos, com projeções irrealistas, falta de acompanhamento técnico capaz, etc., tendo acabado por “matar” logo à nascença alguns projetos, criando uma imagem menos positiva das empresas de consultoria.

Como é que a Agriminho olha para este tipo de modelo de negócio? O que deve um produtor ter em conta para não se deixar ludibriar?

Mal nos fica referir que somos superiores aos demais. O mercado aos poucos vai, necessariamente, fazendo a seleção natural. De facto, assistimos, como todos, a situações por vezes até quase fraudulentas, e o surgimento de muitos consultores improvisados.
O maior defeito que encontramos na elaboração de um projeto (entendido como financiado) é o facto de a grande maioria dos gabinetes não desenhar a exploração, entregando ao cliente a responsabilidade de obter orçamentos e informações junto de empresas.
Isto equivale ao mesmo que um arquiteto dissesse ao cliente para fazer ele o desenho, procurasse orçamentos de materiais e de construtores, que cada um fizesse um desenho da sua especialidade e apresentasse as suas opções e, no final, o arquiteto fazer passar a limpo.

Quem faz um projeto agrícola deve fazer o diagnóstico completo da exploração, obter cartas topográficas, análises de solo (químicas e biológicas) e então elaborar um mapa de quantidades de materiais que vão ser necessários. A não ser assim muitas vezes as “coisas” não encaixam!

O Seguro do Preço para o Mirtilo foi uma aposta ganha por parte da Agriminho?

Foi uma aposta ganha porque felizmente em 2016 não perdemos dinheiro, e a cotação do mirtilo foi, nos mercados em que apostámos, sempre acima dos 4,75€/kg. Temos a convicção que nos próximos anos esta cultura irá ter resultados económicos muito satisfatórios.

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Os agricultores consultados pela Agriminho têm-se mostrado, por norma, bastante satisfeitos com o serviço prestado. A que se deve este sucesso?

A principal razão é que na Agriminho não temos clientes, temos amigos. E a amizade, aliada com a honestidade e um trabalho dedicado acabam por fazer perdoar eventuais falhas que todos podemos ter. Essencialmente poderemos sublinhar que podemos nos enganar, mas não enganamos ninguém.

Como vê o futuro do setor agrícola e da fileira dos pequenos frutos em Portugal?

Se os produtores se agruparem em organizações, estamos certos que será uma fileira duradoura e muito pujante e, portanto, auguramos um futuro risonho. Sendo certo que a agricultura do minifúndio terá, necessariamente, que passar pelos pequenos frutos se se quiser afirmar como viável.

 


Agriminho, Lda.

Tel.: +351 258 488 341 | Email: agriminho@gmail.com

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