AgroGlobal volta a reunir o Setor Agrícola

 Em Entrevistas

“A Agroglobal é a soma das feiras organizadas por cada uma das empresas presentes.”

 

Com cerca de 160 hectares preparados com diversas culturas e espaços (este ano os frutos secos e frutos vermelhos também marcarão presença) para permitir às empresas a possibilidade de demonstrar e comunicar a mensagem em condições práticas e reais, a Agroglobal afirma-se cada vez mais como “a feira profissional do setor agrícola em Portugal”.

Começou em 2009 com 115 expositores mas, na edição de 2016 – que terá lugar nos dias 7,8 e 9 de setembro, em Santarém – prevê atingir os 275 expositores, dos quais 265 já confirmaram a sua presença. Joaquim Pedro Torres é um dos elementos da organização, que acompanhou a evolução da feira desde o seu início.

A missão da AgroGlobal é permitir a todas as pessoas e empresas a interação profissional num evento para aceder a uma vasta rede de contactos. O objetivo mantém-se?

Partilhando conhecimento e informação que um vasto conjunto de empresas de toda a fileira agrícola aporta à Agroglobal, promovemos o negócio e, em última análise, o desenvolvimento do setor.
Tentamos fazê-lo de uma forma que dignifique um setor de atividade económica exigente nas tecnologias e níveis de conhecimento utilizados.
Nem sempre, no passado, a opinião generalizada fazia esta avaliação da agricultura e dos agricultores portugueses.

O espaço temporal entre edições permite, de facto, às empresas mostrar a evolução e desenvolvimento tecnológico dos seus produtos, ao mesmo tempo que reduz o esforço logístico e financeiro, comparativamente a uma feira anual. Este modelo bianual é para continuar?

A Agroglobal constitui um enorme esforço financeiro para as empresas que a promovem e que, penso, não seria aceitável todos os anos. Por outro lado, dá mais espaço à evolução dos seus produtos. Esta periodicidade é uma tendência em eventos semelhantes um pouco por todo o lado.

Joaquim Pedro Torres, da Valinvest.

Joaquim Pedro Torres, da Valinvest.

A AgroGlobal é agora conotada como “a feira dos profissionais”. Não teme que a mediatização da feira possa vir a “politizar” e esbater o seu carácter profissional?

A feira é puramente profissional e queremos que continue assim. Fazemos um esforço no sentido de dar a conhecer a todos o que se faz atualmente na Agricultura Portuguesa. Isso é positivo. Cria em torno do setor um ambiente que leva os empresários agrícolas a sentirem-se motivados para que a Agricultura seja cada vez mais um importante contributo, económico e não só, num período difícil da vida do nosso país.
Não foi assim num passado não muito longínquo, e era bom que tal não se repetisse.

 

Em praticamente todos os certames dedicados à agricultura, encontramos a “ruralidade” . Porém, não o encontrámos na comunicação explícita da AgroGlobal. Este posicionamento foi intencional desde o início?

Gostamos da ruralidade que tem a ver com uma ancestral relação entre o homem e a terra que ao longo dos tempos foi moldando o conhecimento dos seus “segredos”. Valorizamos muito o conhecimento adquirido ao longo de gerações de agricultores e, numa agricultura tão diversa como a portuguesa, consideramos esse conhecimento uma base indispensável para o aproveitamento da inovação que as escolas e empresas colocam à disposição dos agricultores.

A AgroGlobal sempre se caracterizou por ser de entrada gratuita, algo não muito comum nas feiras nacionais e mesmo internacionais. Porquê esta opção?

Cada profissional ligado à atividade que marque presença na Agroglobal potencialmente acrescenta valor neste “congresso” de agricultura a céu aberto. Nesse sentido não deve pagar.

A feira tem ambição de se tornar mais internacional ou, pelo contrário, prefere concentrar-se no setor agrícola nacional?

A feira deverá acompanhar a dimensão internacional da nossa agricultura. É o que tem acontecido de forma crescente em todas as edições. Ao nível do produtor agrícola e também profissionais ligados a empresas que se fazem representar. A suas impressões sobre a Agroglobal têm sido muito positivas.

A área da Agroglobal estende-se por cerca de 160 hectares

A área da Agroglobal estende-se por cerca de 160 hectares.

Dado o reconhecimento alcançado pela AgroGlobal, considera que ainda é necessário investir em marketing e/ou comunicação de forma a garantir o sucesso da feira? O investimento nesta área tem aumentado ou diminuído ao longo dos anos?

O nosso principal investimento este ano foi a Agroglobal News. Não olhamos para este investimento como marketing. O debate e a divulgação que contêm são parte integrante do espaço Agroglobal.

Pode adiantar-nos algumas novidades para a edição deste ano?

Esta feira é a soma das feiras organizadas por cada uma das empresas. Serão elas, essencialmente, que trarão as novidades, e serão muitas, que permitirão aos visitantes e às próprias empresas três dias de trabalhos muito proveitosos. Ficamos muito entusiasmados com a energia que cada uma das empresas coloca na sua presença. Para além de todas apresentarem as suas mais modernas soluções, sempre de forma diferente e imaginativa, promovem reuniões e visitas organizadas aos campos com agricultores, apresentam equipamentos de vários tipos em trabalho com avaliação do desempenho em diferentes condições, participam e organizam colóquios….

Na organização dos colóquios – nesta edição em simultâneo em dois auditórios – tivemos muita colaboração. A Agroges, Anpromis, a Consulai e a Vida Rural promovem as sessões no auditório “Armando Sevinate Pinto” – a nossa pequena homenagem a uma figura incontornável da nossa agricultura, sempre presente na participação e no apoio à AG – enquanto no auditório “Companhia das Lezírias” tivemos a colaboração da Pioneer, Celpa, INIAV, Agrotec, COTR, ANPOC e Olivum. Com organizações tão experientes e integradas no meio agrícola, teremos um conceito “refrescado” e muitos temas novos em debates, seguramente vivos e esclarecedores. Também nós estamos expectantes com o elenco, embora já conheçamos parte.

Voltamos a ter o pavilhão dedicado a novas tecnologias – Agro Inov – também com muita adesão de empresas que nos ajudam a dar um sinal inequívoco da rápida evolução da maneira de fazer e pensar agricultura.
Em termos de culturas nos campos, para além das habituais, teremos um destaque para a floresta e também para os frutos secos e frutos vermelhos, acompanhando as novas tendências do que vai fazendo na nossa agricultura.

Qual o futuro do setor agrícola português?

Espero que positivo. O papel desta atividade é demasiado importante para que assim não seja. Economicamente, todos lhe reconhecem o potencial, mas devemos levar em conta a sua função ambiental e social. Apenas 2 exemplos: A importância da obra do Alqueva na redinamização das regiões beneficiadas e a ajuda decisiva que um ordenamento agrícola pode ter no combate aos incêndios florestais, tão debatido neste momento.

Comentários
  • Luis Pedro Rodrigues

    Ainda que este certame seja dedicado aos profissionais do sector, tinham muito a ganhar se fosse prolongado ao fim de semana, uma vez que bastantes agricultores e pessoas indirectamente dependentes deste ramo estão a trabalhar durante a semana não podendo largar os seus empregos e, que têm todo o interesse em estar por dentro dos novos produtos e tecnologias. Parabéns pelo evento!

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