Cultura do Arroz: exportações triplicaram nos últimos 3 anos

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A indústria arrozeira reagiu à baixa do consumo de arroz em Portugal procurando novos mercados no Médio Oriente e nos países árabes, que permitiram escoar o excesso de stocks nacionais de arroz japónica e Carolino.

Nos últimos três anos, as exportações nacionais de arroz mais do que triplicaram, passando de 30.000 para 100.000 toneladas anuais, e hoje agregaram maior valor, tendo a indústria portuguesa passado a exportar arroz descascado, branqueado e embalado.

“No início os compradores estrangeiros desconheciam e desconfiavam da origem Portugal, mas agora estão adeptos do arroz português, porque tem um sabor óptimo, uma consistência perfeita e é produzido de modo quase biológico”, afirma o presidente da Casa do Arroz, Pedro Monteiro, que vai estar presente na 6ª edição da AgroGlobal – Feira das Grandes Culturas que se realiza de 5 a 7 de Setembro de 2018, em Valada do Ribatejo.

Produção bruta de 180.000 toneladas/ano

Em declarações à comunicação da AgroGlobal, Pedro Monteiro explica que a produção nacional de arroz é estimada em 30.000 hectares, com uma produtividade média de 6 toneladas/hectare, o que resulta numa produção bruta de 180.000 toneladas/ano.

O grau de auto-aprovisionamento de arroz em Portugal é de 60% e as importações ascendem a 100.000 toneladas/ano. Portugal é o maior consumidor de arroz na Europa, com um consumo per capita de 18kg/habitante/ano.

A Casa do Arroz destaca a estabilidade da área de produção de arroz em Portugal, sinal de que esta cultura continua a ser um negócio rentável para os agricultores. Há a possibilidade de aumentar a área nacional de arroz até 34.000 hectares e a lezíria do Tejo é a região mais provável, caso os agricultores decidam reconverter parte da área actual de tomate indústria para arroz, motivados pela procura do arroz português nos mercados internacionais e pela descida dos preços do tomate.

Variedades portuguesas de arroz

O Ceres e o Maçarico são as primeiras variedades de arroz 100% portuguesas, desenvolvidas por um consórcio de entidades públicas e privadas, lideradas pelo Cotarroz. Estima-se que cheguem aos campos dos agricultores dentro de 3 anos, estando ainda por definir o modelo de comercialização destas variedades.

A Casa do Arroz

A Casa do Arroz foi criada em 2012 para promover a fileira do arroz em Portugal, com uma estratégia baseada na defesa do arroz Carolino, cujo consumo tem vindo a decrescer desde 2005.

Actualmente, o Carolino possui uma quota de mercado de 29% (volume) e 25% (valor), perdendo terreno para o arroz basmati, vaporizado, thai e risoto, segmentos de maior valor e com maior crescimento de consumo.

“A nossa campanha não quer excluir nenhum tipo de arroz, mas visa relembrar o lugar do Carolino na gastronomia portuguesa”, o presidente da Casa do Arroz. Esta entidade lançou recentemente a campanha promocional “Carolino Arroz de Portugal”, explicando aos portugueses a sua tipicidade e características culinárias.

Futuramente a Casa do Arroz pretende integrar o programa europeu de promoção do arroz, uma iniciativa convocada pela Comissão Europeia para promover os vários tipos de arroz produzidos na Europa.

Fonte: AgroGlobal (via revista Agricultura e Mar).

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