PRILUX: inovar para crescer

 Em Entrevistas

“Em Portugal temos condições edafoclimáticas de excelência e empresas agrícolas de topo”

 

Inserida num grupo de 6 empresas com mais de 400 colaboradores em Portugal, a PRILUX é atualmente uma empresa de referência no Setor Agroalimentar em Portugal. Fundada em 1992, desempenham funções na PRILUX 61 dos 400 colaboradores do grupo.

Com soluções diversificadas para o setor agrícola, que vão desde o fabrico dos vários componentes para sistemas de rega; estufas, armazéns de apoio, acessórios de rega, até à comercialização, representação e montagem de uma vasta gama de equipamentos e produtos que completam as necessidades de uma empresa agrícola, como climatização, charcas, fertilizantes… a empresa caracteriza-se pela capacidade em apresentar Projetos Chave-na-Mão.

Jorge Neto, um dos fundadores da empresa, é atualmente Responsável pela Qualidade e Projetos da empresa, mas nos 24 anos de existência da mesma, em especial nos primeiros 10 anos, desenvolveu várias funções da empresa, desde a instalação de sistemas de rega, juntamente com os colaboradores,à comercialização dos produtos da empresa.

A PRILUX começa a sua atividade na comercialização e aplicação de sistemas de rega por aspersão em Portugal. Quando ocorreu a diversificação do negócio e porquê?

Em 1970-72, o meu sogro, Sr José Prior, fundador da empresa, José Creoulo Prior e Filhos,Lda (atual JPrior), “empresa-mãe” da PRILUX, foi um dos primeiros comerciantes a vender e aplicar sistemas de rega por aspersão em Portugal. Na altura, eram poucas as empresas a nível do país que trabalhavam este setor de mercado, existia apenas uma empresa de maior dimensão a comercializar produtos similares, que não conseguia dar resposta à procura.

Foi face a esta oportunidade de negócio que, em 1975, o meu sogro começou a fabricar aspersores e acessórios, por ele desenvolvidos, tendo sido premiado por inovação de produto, alguns deles com patentes registadas. Em 1977, formou a empresa José Creoulo Prior e Filhos, Lda, que, devido ao “excesso” de trabalho com o fabrico e comercialização, acabou por deixar de parte a instalação dos sistemas de rega.

A PRILUX inicia já numa entrada de novas gerações, que assumiram a liderança da José Creoulo Prior e Filhos, e foi nessa altura que a empresa surge, recuperando um dos serviços outrora feitos pela “empresa mãe”, a instalação de sistemas de rega.

Jorge Neto, um dos Sócios-Fundadores da PRILUX

Jorge Neto, um dos Sócios-Fundadores da PRILUX.

Foi neste momento que começaram a diversificar a oferta de produtos e soluções?

Sim, a J. Prior fabricava e comercializava basicamente sistemas de rega, e a PRILUX aparece com uma vertente mais completa – comercialização e representação, de uma gama mais alargada e completa de produtos para agricultura, de marcas conceituadas no mercado nacional e estrangeiro e com prestação de serviços de instalação com estudo das melhores soluções e apresentação de projeto, seguida de instalação de todo o sistema de rega.

A partir de certo momento, começámos a fabricar internamente alguns dos produtos que importávamos, passando nós a ser exportadores de alguns desses produtos, atividade que se mantêm até hoje.

A entrada da nova geração trouxe também uma nova visão para o grupo…

Nos anos 80 a rega por aspersão fabricada por nós, era basicamente vendida apenas em Portugal, no entanto, sem mercado externo, era um negócio sazonal, com as vendas a concentrarem-se nos 2/3 meses de verão. Em anos chuvosos, tínhamos quebras de vendas que nos obrigava a fazer uma gestão financeira muito apertada. Este facto levou-nos ao diversificar a atividade desenvolvida, quer na PRILUX, quer na J. Prior. A “empresa- mãe”, passou a fazer serviços de injeção de materiais para outas empresas, e juntamente com a Prilux, desenvolveram-se outras gamas de produtos cuja aplicação não se centrasse apenas na irrigação. Foi esta diversificação de estratégias de mercado que temos procurado levar a cabo pelo nosso grupo de empresas, especialmente nestas duas, de forma a melhorar/aumentar  a oferta e homogeneizar o volume de vendas ao longo do ano.

Porquê a opção pela área agrícola?

É uma ligação histórica. A criação da J. Prior tem raízes no setor de atividade – agropecuária, que o casal fundador teve, no inicio da sua vida. Nós seguimos essa direção e foi a partir do conhecimento que nos foi sendo transmitido e adquirido sobre as reais necessidades neste setor e noutros, que fomos crescendo e diversificando a nossa área de atuação nas várias empresas do grupo.

A PRILUX tem sentido esta nova atenção e importância dada ao setor agroalimentar?

Eu já passei por algumas“fases”deste tipo de atenção que foi sendo dada à agricultura ao longo do tempo, pelos nossos governantes. Creio que é muito importante incentivar o investimento e a instalação de novos agricultores, mas temos também o dever de o fazer de forma coerente e dar apoio. Recordo-me de ter passado por um programa de incentivo há alguns anos, o Projeto 797, direcionado para o Jovem Agricultor, onde realmente se fizeram muitos projetos, mas no final acabou por se retirar muito pouco, porque grande parte das explorações acabaram por fechar. Neste momento, parece-me que a história não se irá repetir. Claro que existem sempre projetos que não vingam, mas parece-me que com o PRODER, e agora o PDR 2020, a taxa de sucesso será muito superior à registada naquele tempo.

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A zona de produção da PRILUX tem uma área de 6.000 m2.

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E quais as razões para esta melhoria?

Creio que essencialmente devido à mudança de mentalidade destes novos agricultores. Existe um maior associativismo. Os jovens agricultores agora reconhecem que em Portugal, sem associativismo, vingar como empresa agrícola é difícil, e juntam-se para partilhar conhecimento, ganhar economia de escala, ter maior poder negocial, etc.
Em termos processuais, é exigido muito mais agora aos promotores, e isso é bom, de forma a assegurar que esses investimentos são realmente bem feitos.

Em Portugal, temos condições de excelência. Temos condições edafoclimáticas de excelência e empresas agrícolas de topo, seja de equipamentos, fornecimentos de materiais, apoio técnico, etc. No meu ponto de vista, estamos muito melhor que muitos países da Europa. E temos que aproveitar estas sinergias para chegarmos a bom porto e ajudar o país em termos de exportações de uma forma geral.

Mas é essencial não esquecer que a base do sucesso é trabalhar de forma estruturada, não dispensando o acompanhamento, por técnicos, sejam eles, os próprios empresários com formação na área ou de empresas especializadas para o efeito.

A PRILUX tem uma forte aposta em I&D. Sempre foi uma prioridade? Que mais valias já conseguiram retirar desta aposta?

Sim, sempre foi, até pela sua história. Contribuímos, por exemplo, na criação de novas empresas de nossos clientes e parceiros, em virtude da intervenção que tivemos no desenvolvimento de novos projetos e produtos que acabaram por gerar novos negócios.

A PRILUX, em colaboração com a JPrior, desenvolveu projetos de produtos – filtragem, programação, eletrovávulas – onde fomos pioneiros no fabrico, fornecendo estes produtos para os EUA, Israel e para algumas empresas de renome mundial – acabou por abrir novos mercados e impulsionar de alguma forma a nossa economia regional.

Sempre houve uma aposta muito forte em fazer alguma coisa diferente, em inovar, e acreditamos que é devido à inovação que a PRILUX conseguiu crescer, ganhando cada vez mais reputação no mercado. É algo que faz parte da nossa Missão como empresa e não deixaremos de o fazer.

Quais os principais projetos que têm desenvolvido?

Hoje, na maioria das empresas agrícolas com alguma dimensão, existe uma máquina de fertirrega que controla uma série de parâmetros fundamentais para o desenvolvimento das plantas. Nós fomos pioneiros na instalação deste tipo de máquinas em Portugal e, naquele tempo, este foi um dos nossos maiores feitos / inovação. Acoplámos a parte eletrónica, que adquiríamos a um fornecedor, com a parte hidráulica, que era feita por nós. O sucesso deste equipamento teve um forte impacto e excelente aceitação o que foi importante para novos investimentos neste tipo de produto e continuação da sua comercialização.

Neste momento, temos um sistema inovador, denominado Monocabo, que permite comandar uma série de parâmetros e equipamentos que fazem funcionar de forma automática quer a rega quer a parte climática das estufas. Apenas com um cabo de 3 fios, permite centralizar toda a informação e envia-la para diversos dispositivos, como um PC, telemóvel, …

Estamos a desenvolver um sistema de estufas inovador, mais fácil de montar, e deverá entrar no mercado dentro de 6 meses, aproximadamente, e que se caracteriza por, com uma menor quantidade de materiais, possuir maior robustez e maior facilidade na montagem.

Lançámos também este ano um filtro novo, uma forma diferente de fazer retrolavagem para limpeza do filtro, permitindo a automatização da limpeza de forma mais simples e eficiente, estando a ter excelente recetividade no mercado nacional e estrangeiro. Estamos a vender este produto, neste momento, para 12 países diferentes. Prevemos que as vendas deste novo produto aumentem significativamente durante o próximo ano.

Qual o produto mais vendido da PRILUX e porquê?

Varia bastante de ano para ano. Para o mercado externo, a maior percentagem de vendas centra-se nas eletroválvulas e filtros. Em Portugal, são vários produtos: estufas, fita de rega, acessórios diversos de rega….

Quais os principais países de destino dos produtos da PRILUX?

Angola (n.d.r. onde detêm também uma fábrica), Espanha e países da América Central. Estamos também noutras regiões do globo, mas estes sãos os principais mercados, embora em Espanha, tenhamos clientes que revendem as nossas estufas para outros mercados, fazendo chegar os nossos produtos a outros países que ainda não entramos diretamente.

E o mercado angolano? Estas ocorrências nos últimos anos foram um golpe duro para a PRILUX?

Sim, para todas as empresas, não apenas para nós. De qualquer maneira, temos instalações lá e vamos mantê-las, pois representa um volume importante de vendas da PRILUX. No entanto, a conjuntura, acabou por nos forçar a procurar outros mercados e conseguimos entrar em mercados que nos parecem prometedores.

Quanto representam as exportações no Volume de Negócios da empresa?

Neste momento, 30% das vendas são para exportação. O nosso objetivo para os próximos anos é atingir o rácio de 50% no mercado interno e 50% para o externo.

A aposta em marketing e comunicação é uma prioridade para a PRILUX?

Esta aposta foi e está a ser, um investimento que está a dar frutos.  Reforçamos essa vertente na empresa em termos de Recursos Humanos. Recentemente, melhoramos e registamos o nosso logotipo, reformulámos o nosso website, e estamos a adotar novas abordagens de comunicação ao mercado, mais inovadoras e diferenciadas. Estamos também criar uma nova imagem nos nossos catálogos e criámos uma marca direcionada para o mercado externo, a “Acqua Bridge”, com certos produtos já apresentados em feiras e eventos  nacionais e internacionais.

Porquê o nome PRILUX?

O “Pri”, vem do nome da “empresa-mãe”, Prior, para manter a identidade da J. Prior nas outras empresas do grupo, e o “Lux”, colocámos muito devido ao facto de não termos conseguido registar a “Marlux” como empresa, mas sempre foi muito conhecida como marca.

A localização na Região Centro é uma vantagem?

Em termos de vendas, o facto de termos representantes em todo o país, a localização acaba por não ter muita relevância. Relativamente à produção e logística, que está concentrada aqui em Ponte de Vagos, creio que facilita bastante, graças aos ótimos acessos rodoviários para todo o país. Quanto à mão de obra qualificada, também é uma zona privilegiada, dado que muito perto de nós, temos duas das melhores Universidades, a de Aveiro e Coimbra, que ”oferecem” formação superior nas áreas que trabalhamos.

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Que projetos têm a PRILUX para o futuro?

Para além dos produtos que já falámos, em termos de projeto, como empresa, demos este ano um grande salto com a mudança de instalações, maquinaria, produção, etc. Agora temos que transmitir para o mercado este crescimento qualitativo e quantitativo. O nosso grande objetivo é conseguir fazê-lo eficientemente nestes próximos 2/3 anos.

Vamos lançar também um serviço de acompanhamento técnico aos clientes, que vai para além dos equipamentos fornecidos, mais direcionado à atividade do cliente. É uma forma de acrescentarmos valor à nossa oferta, da mesma maneira que contribuímos para o crescimento e consolidação das empresas dos nossos clientes. Queremos que eles exerçam a sua atividade durante muitos anos.

Como vê esta nova geração de agricultores?

Antigamente, a sociedade olhava para o agricultor com algum desdém. Hoje em dia, já se encara este setor como uma oportunidade de trabalho e sucesso. Mais do que isso, vemos atualmente empresários agrícolas que mesmo exercendo outras profissões, investem em grandes áreas de produção agrícola, com equipamentos tecnológicos avançados, que lhes permite desenvolver outras atividades em áreas diferentes e dadas as dimensões das empresas acabam por gerar emprego nas suas explorações, ajudando assim a economia local. Estamos no bom caminho e estou bastante otimista com o que ainda poderemos alcançar.


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Soluções de Rega, Estruturas, Componentes Metálicos, Apoio à Agricultura e Projetos Chave na Mão.

web: www.prilux.pt | tel.: +351 234 780 050 | email: geral@prilux.pt

Comments
  • António Augusto Neto

    Sim senhor fecho o comentário primo Jorge Neto gostei de ler o vosso progresso da prilux em serviços desde anos 1980 vós desejo muito progresso em nas exortações pra fora e para todos vós e teu pai e tua mãe um grande felizes páscoas ,um Grande abraço primo Jorge Neto 👍✋

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