Produção e Comercialização de Melancia

 Em Artigos Técnicos & Comerciais, Fruticultura

A melancia é cultivada pelo homem há milhares de anos, teve a sua origem no Norte de África, e é uma das maiores frutas conhecidas, podendo chegar aos 20 kg.

Arredondado ou alongado, de casca lisa, verde ou rajada por manchas amareladas. Polpa abundante que varia de cor branco-rósea, amarelada, avermelhada ou purpúrea. O peso pode variar consoante a variedade e fatores edafoclimáticos. Normalmente, os frutos são classificados com base na sua massa média em grandes (peso superior a 9 kg), médios (entre 6 kg a 9 kg) e pequenos (abaixo de 6 kg). As sementes chatas, negras e lisas são desordenadamente dispersas em toda a grande polpa.

Planta

A planta é uma herbácea anual de caule rasteiro e ramificado. As folhas são ovais, apresentando estruturas em espiral presas ao caule, denominadas “gavinhas”. As flores são pequenas, de coloração amarelo-esverdeada. A melancia pertence à família das Cucurbitáceas, a mesma do pepino, da abóbora e do chuchu. O pólen da melancia, como a maioria das cucurbitáceas, é pegajoso, o que impede que seja levado pelo vento, sendo as abelhas e vespas responsáveis pela polinização, sendo que estas desempenham um papel crucial nesta cultura.

Cultivo

Existem disponíveis para o produtor variedades e híbridos de melancia adaptados às mais diversas condições de produção no país. A primeira etapa é identificar quais são recomendadas para cada realidade, em função das preferências do mercado consumidor.

Os híbridos apresentam algumas vantagens sobre os cultivares tradicionais, como plantas mais vigorosas e resistentes a maior número de doenças, ciclo precoce para a colheita, quantidade elevada de flores femininas e produção de grande número de frutos por área e com melhor qualidade.

Colheita

A melancia atinge o ponto de colheita entre 28 a 45 dias após a fecundação das flores femininas ou hermafroditas, dependendo da cultivar e das condições climáticas. A colheita é feita entre 65 a 100 dias após a plantação, dependendo de alguns fatores como a variedade e/ou a localização geográfica. A produtividade da cultura varia de 20 a 40 t/ha.

Existem alguns indicadores para aferir o ponto de colheita, tais como: mudança da cor da casca do fruto na região que se mantém em contato com o solo, que passa de branca para amarela com o amadurecimento; ressonância do fruto ao impacto deve ser grave e oca: som agudo e metálico indica que o fruto está imaturo; teor de sólidos solúveis mínimo de 9 ºBrix, conforme recomendação da União Europeia, devendo-se, entretanto, preferir valores a partir de 10 ºBrix, que são mais bem aceites pelo mercado.

Para uma boa determinação da data de colheita da melancia, deve-se efetuar uma amostragem de frutos. Nesta amostragem, deve-se cortá-los e examinar a cor da polpa e o teor de sólidos solúveis.

Os sólidos solúveis constituem um importante critério para avaliação da qualidade dos frutos. Representa uma medida da concentração de açúcares e outros sólidos diluídos na polpa ou suco do fruto. Os açúcares correspondem à maioria dos sólidos solúveis existentes na polpa. Na melancia, o seu conteúdo varia de acordo com as regiões internas do fruto, ou seja, normalmente a polpa é mais doce no centro do que na região próxima ao mesocarpo.

Outros indicadores importantes são a firmeza da polpa e a aparência externa e interna.

A colheita é manual e deve ser realizada nas primeiras horas do dia. O pedúnculo deve ser cortado com auxílio de uma lâmina afiada — faca ou canivete — a cerca de 5 cm do fruto. Durante a colheita, devem ser tomados cuidados para que os frutos não sofram pancadas, pois isso facilita a entrada de micro-organismos, comprometendo a conservação pós-colheita. Deve-se ter o cuidado para a correta identificação do ponto de colheita da melancia, pois, se for colhida antes de completar o amadurecimento na planta, não haverá o desenvolvimento do sabor característico do fruto maduro.

É também importante que, após a colheita, as melancias sejam acondicionadas o mais rápido possível em locais com sobra, secos e ventilados.

Armazenamento

Em local à sombra, seco e ventilado, os frutos podem ser armazenados por um período de 2 a 3 semanas, dependendo do ponto de maturação, dos cuidados tidos na colheita, da temperatura e da humidade. As melancias são muito sensíveis a danos causados pelo frio, que se manifestam como manchas castanhas na casca, pitting, odor desagradável, perda de cor vermelha da polpa e incidência de doenças. A temperatura mínima de segurança é de cerca de 5 ºC, mas durante curtos períodos de tempo. Para o armazenamento prolongado, a melancia deve ser armazenada à temperatura mínima de 10 ºC. A humidade relativa recomendada é de 90%.

Mesmo sob condições ótimas de armazenamento, a melancia apresenta vida útil pós-colheita relativamente curta. Deve ser consumida 2 a 3 semanas após a colheita. O fruto possui uma reduzida taxa de produção de etileno, regulador de crescimento que estimula o amadurecimento dos frutos. Porém, a melancia tem alta sensibilidade ao etileno. Por isso, não pode ser armazenada em conjunto com outros frutos que produzam níveis moderados ou altos de etileno, o que lhe causaria desintegração da polpa, como consequência da aceleração da senescência ou envelhecimento.

Durante o armazenamento, as principais mudanças que levam à redução da vida útil da melancia são a perda de massa fresca, o decréscimo do teor de sólidos solúveis e da acidez titulável dos frutos, além de alterações na textura da polpa.

Estas mudanças ocorrem rapidamente de forma que, em algumas cultivares populares de melancia, armazenadas a temperatura ambiente — aproximadamente 27 ºC e 55% UR —, a vida útil pós-colheita é limitada a 16 dias.

Mercado

O cultivo de melancia é considerado uma atividade de risco elevado, devido à sazonalidade nos preços recebidos pelo produtor e aos problemas agronómicos da cultura, como a incidência de diversas pragas e doenças e a baixa produtividade, muitas vezes relacionada ao manuseamento inadequado da irrigação e adubação.

O uso de tecnologias adequadas no pós-colheita durante o maneio, processamento, armazenamento e transporte é tão importante como a atividade produtiva. Os cuidados no pós-colheita devem permitir preservar a qualidade dos frutos por mais tempo.
Sabendo-se que a qualidade do fruto pode ser influenciada por fatores genéticos, fatores climáticos, concentração de nutrientes no solo, adubação, ataque de pragas e doenças, população de plantas daninhas, quantidade de frutos por planta e posição do fruto na planta, deve-se garantir ao máximo as condições que permitam uma colheita de frutos de boa qualidade, e um acondicionamento adequado, que permita preservar esta qualidade pelo maior período de tempo possível. Com este objetivo, as diferentes operações pós-colheita, como seleção dos frutos, classificação e armazenamento, devem seguir as recomendações específicas para a melancia.

Genericamente, o mercado consumidor e, consequentemente, o grossista, leva em consideração o tamanho e formato do fruto, a coloração da polpa, teor de sólidos solúveis, presença ou ausência de sementes e o preço. Observa-se que, na maior parte das áreas plantadas, a predominância é de frutos grandes, com peso médio acima de 6 kg. No entanto, em algumas regiões produtoras, que não estão próximas de centros de comercialização, os agentes do mercado chegam a classificar frutos abaixo de 8 kg como ‘refugos’, diminuindo o preço pago pelos mesmos.

Por outro lado, mais recentemente, tem surgido uma tendência para um novo tipo de melancias, muito mais pequenas, com um peso entre 1 a 2 kg. Este fator deve-se, principalmente, à redução do tamanho das famílias, a uma maior atenção para o desperdício por parte do consumidor e à necessidade do mercado por frutos alternativos, sem sementes e de qualidade.

A melancia tem essencialmente como destino o mercado em fresco. É também, no entanto, utilizada na produção de gelados e outras sobremesas, mas não há ainda uma escala industrial bem sedimentada.

Fontes: Sebrae | Embrapa | Hortas.Info

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