Alterações climáticas: valor das terras agrícolas no sul da Europa vai cair 80%

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O valor das terras agrícolas no sul da Europa vai diminuir entre 60% e 80% até 2100, diz um novo relatório da Agência Europeia do Ambiente (AEA).
Esta é apenas uma de várias consequências negativas das das alterações climáticas previstas pela organização e agora publicadas no documento “Climate change adaptation in the agriculture sector in Europe.”

As mudanças no clima já estão a afetar o rendimento das culturas e a produtividade do gado em muitos países europeus. E o futuro traz um cenário ainda menos favorável, dizem os investigadores: o aumento do número de eventos climáticos extremos e alterações nas variáveis do clima na Europa irão provavelmente aumentar o risco de perdas culturais e diminuir a produtividade e qualidade das culturas.

O sul perde, o norte prospera

Os efeitos negativos das mudanças climáticas na agricultura vão sentir-se sobretudo no sul da Europa: Portugal, Itália, Espanha e o sul de França.

A previsão é que terras agrícolas no sul da Europa sofram perda de produtividade agrícola e de terreno arável; aumento das necessidades de rega devido a temperaturas mais altas e mais secas (Portugal, Galícia e a parte Mediterrânica da Turquia serão os mais afetados); redução da produtividade das culturas devido ao seu desenvolvimento mais rápido e a mais eventos climáticos extremos; e redução de produtividade na produção de gado.

Em Portugal, por exemplo, a produção anual de milho deverá cair 20kg/hectare por ano entre 2051 e 2080. Em todo o sul europeu, “culturas não-irrigadas como trigo, milho e beterraba deverão diminuir até 50% até 2050.”

Alteração percentual nos valores do terreno agrícola projetados para o período 2071-2100, comparados com 1961-1990. Fonte: AEA

A nível socioeconómico, os efeitos sentir-se-ão no abandono da profissão por muitos agricultores, aumento dos preços dos alimentos e até diminuição do PIB destes países.

Mas, para os países do norte da Europa, a história é bem diferente. As alterações climáticas vão permitir a estes países cultivar novas culturas, devido às temperaturas mais elevadas; a produtividade das culturas vai aumentar, em resultado do aumento da estação de crescimento e da redução dos efeitos do frio; e a maior produtividade de culturas vai favorecer a produção de gado.

Os autores do estudo defendem que, embora já estejam a ser tomadas medidas, é preciso ir mais longe no caso dos produtores em terras agrícolas no sul da Europa. Algumas das medidas que propõem são o incentivo da adoção generalizada de tecnologias de agricultura de precisão; preencher as lacunas de conhecimento sobre o impacto das alterações climáticas na agricultura; e fortalecer as medidas de adaptação às mudanças climáticas previstas na CAP; entre outras.

Por: Sara Sousa | Agroop.

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