Estufas agrícolas: tipos e configurações

 In Artigos Técnicos & Comerciais, Fruticultura, Horticultura

Uma estufa é uma estrutura cuja principal função é a protecção das plantações contra ameaças, como por exemplo é o caso do vento e das chuvas fortes. Podemos ainda definir um estufa como uma estrutura coberta com material transparente à radiação solar. As estufas são utilizadas em culturas protegidas permitindo no seu interior, o trabalho de pessoas e máquinas.

Paralelamente, uma estufa mantêm no seu interior a temperatura adequada ao desenvolvimento das culturas, aproveitando o calor proveniente do sol.

Um outro ponto muito importante numa estufa é o sistema de rega, para que seja possível manter o equilíbrio ideal entre a temperatura e a humidade no interior da estufa.

As plantas desenvolvem-se melhor quanto melhor for a relação entre a temperatura e a humidade, pois a água é essencial para que as plantas se desenvolvam.

Uma estufa proporciona então um ambiente adequado para o desenvolvimento das plantas, permitindo a existência de uma grande variedade de espécies, a não ser que sejam plantas menos resistentes e mais delicadas. Isto acontece porque conseguimos manter as condições ambientais relativamente estáveis, facilitando o crescimento das plantas.

Outro fator também muito importante numa estufa, é a sua limpeza. O local deverá estar sempre limpo para evitar pragas, contaminações e doenças.

É comum também se falar em efeito de estufa como a transparência à radiação solar visível (400 a 700 nm) e opacidade à radiação térmica infravermelha emitida pela superfície terrestre (de comprimento de onda longo; > 1000 nm). Os principais materiais usados para construir esfufas são: plásticos, madeira, aço, alumínio e betão. Algumas vezes, também é utilizado vidro, no entanto são construções bem mais dispendiosas.

Quais as vantagens principais de uma cultura protegida (em estufa)?
– Aumento da produtividade;
– Produção fora da época normal (precoce/tardia);
– Melhoria da qualidade;
– Produção de espécies exóticas;
– Maior facilidade de controlo dos factores climáticos e de pragas e doenças;

No entanto, é importante salientar que embora as estufas proporcionem todas estas vantagens, são infelizmente estruturas que acarretam custos muito mais elevados na maior parte dos casos, quando comparadas com as culturas ao ar livre.

Classificação das estufas quanto à geometria ou configuração

Quanto à forma podemos distinguir 4 tipos de estufas:

Estufa tipo Túnel

As estufas tipo tunél são dos modelos mais frequentes em Portugal. Como dimensões as mais frequentes são:

• Largura: 8,5 m

• Altura máxima: 3,60 m

• Comprimento: variável, < 60 m • Distância aconselhada entre túneis: > 2 m

Estufa Tipo Túnel

Como principais vantagens destaco o facto de apresentarem uma construção simples e pouco dispendiosa e uma boa resistência ao vento. No entanto, apresentam como principais desvantagens um arejamento deficiente, baixa relação entre a área coberta e o volume e uma desaproveitamento do espaço junto às janelas. É importante salientar também que as estufas tipo túnel podem apresentar problemas de ventilação se não tiverem aberturas laterais para o mesmo efeito.

Estufa tipo Capela

Este tipo de estufa possui telhados planos e retos, em que o seu formato quase faz lembrar uma igreja. Devido a toda a sua conformação, são adequadas para locais onde existem grandes oscilações de temperatura, uma vez que o telhado inclinado (pelo menos 30%) impede a queda de água de condensação sobre as plantas. Nestas estufas, é tarefa relativamente acessível construir janelas para promover a ventilação, resalvando, que é fundamental nunca esquecer que é bastante importante cobrir estas janelas com malha de mosquito ou anti-tripes para evitar problemas futuros.

Estufa Tipo Capela

Estufa tipo Parral

Este tipo de estufa é caracterizado por possuir uma estrutura de madeira e arame galvanizado. Possui uma estrutura básica e muito barata feita de postes de madeira verticais ligados por fios e coberta por um plástico não rígido. Infelizmente, tem a desvantagem de ter um controlo climático deficitário assim como sistema de ventilação.

Estufa Tipo Parral

Possui dimensões de largura que variam de 14 a 18 m. Devido ao material de que são feitas são inadequadas para regiões pluviosas. Este tipo de estufa dificultam também a mecanização no interior. As estufas tipo parral são mais comuns em zonas como: Almeria (Espanha), Oeste e Algarve (Portugal).

Estufa tipo Multinave

Estas são as típicas estufas holandesas. Possuem uma cobertura de vidro e janelas de 2-3 painéis em cada 4. O seu ângulo máximo de abertura das janelas é 22º (40%) e a largura de telhado de 2 abas é de 3,2 ou 4,0 m (dimensões standard).

Este tipo de estufas possuem paredes retas assim como telhado em arco gótico. Ainda sobre o seu telhado, a sua estrutura em arco é constituída por tubos de aço. De ressalvar que os arcos góticos têm como vantagem o facto da água proveniente da condensação conseguir fluir melhor internamente, descendo mais facilmente para as paredes laterais e não “derramando” sobre as culturas.
No entanto, a resistência mecânica da estrutura em arco gótico é menor devido à sua curvatura descontínua. É importante salientar que para manter a uniformidade de temperatura por este tipo de estufas , a multinave apresenta maiores dificuldades, necessitando de boas formas de aquecimento ou ventilação para manter as temperaturas iguais em todos os pontos da estufa (ventilação zenital).

Estufa Tipo Multinave

Estas estufas possuem ainda aberturas no telhado e/ou laterais para melhorar a ventilação (ventilação zenital). Por serem estruturas mais ou menos estandardizadas apresentam uma construção e manutenção mais fácil e barata. Para além disso, existem muitos equipamentos compatíveis e diversos estudos sobre o clima interno.

É importante salientar que, nas estufas tipo multinave, todas as atividades estão concentradas dentro de um edifício, facilitando a organização e realização de tarefas agrícolas. A estufa tipo multinave apresenta uma ocupação do terreno mais eficiente, menores ensombramentos pelas estruturas, organização laboral facilitada,maior economia no aquecimento por reduzir a superfície de trocas e um menor investimento com o aumento das dimensões.

Por: Rosa Moreira, Agrónoma. Promotora do blog A Cientista Agrícola.

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