Olhar o presente: Perspetivar o futuro da agricultura

 In Opinião

Olhar o presente na agricultura exige interpretar os principais desafios societais à escala planetária, como a sustentabilidade ambiental e a economia circular, as alterações climáticas, as pandemias e a inovação social. Acresce ainda o crescimento da população mundial, estimado pela ONU de 7,7 para 9,7 bilhões de pessoas em 2050, que se vai traduzir num substancial aumento das necessidades alimentares.

Para dar resposta a estes desafios, o futuro passa por mais investimento em conhecimento e formação avançada no setor agrário, exigindo instituições mais fortes e dinâmicas. As instituições centradas no ensino agrário devem alinhar a sua estratégia na perspetiva quer do ensino, quer da investigação e desenvolvimento, com os desafios à escala global, de forma a encontrar soluções que combinem os aspetos da produção alimentar com os da preservação ambiental.

Em Portugal, a produção agroalimentar e agroflorestal têm tido um crescimento na economia portuguesa, representando cerca de 20% do total de exportações de bens do País, o que reflete um aumento superior a 50% desde 2010. Paradoxalmente, a procura por formação superior nestes domínios é reduzida.

Os resultados da primeira fase do concurso nacional de acesso ao ensino superior mostram que foram colocados cerca de 200 estudantes na totalidade das formações agrárias e cerca de quatro dezenas nas três instituições que oferecem formação na área florestal. Indubitavelmente, a situação neste setor é preocupante. Com efeito, nos últimos anos concluíram os estudos superiores nesta área em Portugal menos de duas dezenas de diplomados, número claramente escasso para responder aos desafios das inerentes políticas de ordenamento e de valorização do conhecimento.

Este cenário exige uma revolução nas formações da área agrária, ao nível dos conteúdos programáticos e dos métodos de ensino-aprendizagem. A transformação digital, nomeadamente a internet das coisas, a inteligência artificial e a robotização, associadas a outras aceleradas mudanças tecnológicas, clamam por um novo perfil de graduado universitário. O futuro apela aos formatos da agricultura inteligente, aplicando as modernas tecnologias de informação e comunicação na agricultura.

O ensino agrário deve privilegiar contextos multidisciplinares e modelos inovadores orientados para a economia circular, a gestão de recursos hídricos e energéticos, a segurança alimentar, e vocacionados para o agronegócio. A agricultura de precisão deve assumir maior relevância, levando ao que pode ser denominada “Terceira Revolução Verde”.

 

Artigo por: Dinheiro Vivo, Fontainhas Fernandes

Imagem: br.freepik.com

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